Coord. Geral: Prof. Doutor João Soares

(Departamento de Arquitectura, Universidade de Évora)

2009-2018

Cultura Arquitectónica e de paisagem no espaço do Mediterrâneo e Índia.

A presente linha de investigação vem na sequência do desenvolvimento do projecto actualmente em curso POCTI/AUR/42147/2001) pretendendo-se agora dar maior relevância a aspectos da cultura arquitectónica e da paisagem e de constituir base para trabalhos de dissertações de mestrado conjuntas. A prioridade de continuar a investigação sobre a Medina de Marrakech com trabalho de campo e em parceria com equipas locais e posterior desenvolvimento para publicação de estudo que em conjunto com outras geografias constituirá uma leitura plural e especulativa que possibilitará intervenções de carácter arquitectónico mais sólidas e inovadoras. Nova dinâmica das relações entre Portugal e o mundo árabe, em especial o Maghreb. Estudo comparativo com outros núcleos urbanos e analisar a evolução e mutações da arquitectura por intermédio de uma comparabilidade que terá em conta os aspectos de fundação religiosa, morfológica e de clima e sua tradução quer em propostas de índole arquitectónicas quer de índole histórica.

Grau Zero da Arquitectura

Promover o debate da cultura arquitectónica necessária para os países e regiões do mundo em vias de desenvolvimento e para aqueles que estão em situação de emergência ambiental ou humanitária. Uma parte provavelmente decisiva do futuro da arquitectura como campo de conhecimento e de produção cultural pertinente para a vida no planeta e para aqueles que o habitam está na prática arquitectónica em curso nos países e regiões em vias de desenvolvimento. Não se trata apenas dos “velhos” problemas do desenvolvimento – problemas de saneamento básico, infra-estruturas, habitação, equipamentos essenciais – trata-se também dos “novos” problemas de megalópoles onde coexistem todos os graus de desenvolvimento, da explosão do turismo global, da reutilização do património histórico edificado e natural. Desempenho da arquitectura e do projecto perante as catástrofes naturais, ambientais e político-militares que marcam o nosso tempo. Arquitectos, paisagistas, urbanistas, geógrafos, antropólogos, sociólogos, historiadores interessados na cultura da arquitectura, podem procurar na cultura arquitectónica para o desenvolvimento e a emergência uma prática ao serviço da humanidade e da Terra. Portugal tem algumas vantagens como lugar de lançamento de um curso deste tipo, como país também em vias de desenvolvimento mas já membro da União Europeia, pelo facto da cultura arquitectónica portuguesa ter uma certa influência nos meios da arquitectura internacional e pelas relações históricas e culturais que Portugal mantém com um conjunto de países em vias de desenvolvimento, alguns dos quais de grande importância global presente e futura. Finalmente, há as indicações de que o o governo português tem dado indicações seguras e passos concretos no sentido do estabelecimento de relações económicas e culturais mais fortes entre Portugal e alguns países do Maghreb, num contexto de favorecimentode um campo de investigação alicerçado no estudo documental do património construído e nos arquivos do património português no território da expansão. Neste enquadramento, a arquitectura está em refundação, está no seu “grau zero”. Trata-se de ajudar a desvincular a cultura arquitectónica do luxo dos programas de um ocidente exportável para toda a parte e de repensar a sua relação com o desenvolvimento, o ambiente, a história.

Biografia de um Território

A presente linha de investigação apresenta-se na sequencia do projecto submetido a avaliação à FCT : PTDC/AUR/64981/2006. “Biography of a Territory”, sendo agora o seu campo de investigação ampliado ao espaço geográfico do Algarve, como espaço de importantes alterações sociais e que se apresenta como um caso fecundo para a abordagem de questões paisagístico-identitárias. O campo no qual terá lugar a investigação encontra-se num espaço entre os domínios das questões relacionadas com o território e paisagem e com a sua significação, a dimensão cultural da paisagem No seu sentido mais amplo, o objecto de estudo é o Território que, na sua dimensão Física e Cultural, configura uma terceira dimensão/entidade – paisagística. O ensaio de uma possível concretização deve contemplar uma aproximação histórica (relacionada com o passado) e outra operativa (relacionada com o futuro). É desta dialéctica que pode emergir a leitura de permanências, substituições, actualizações, hibridações. A atenção será concentrada sobre estas dinâmicas, por forma a procurar delinear interpretações e mesmo arriscar eventuais hipóteses de intervenção. Um lugar possível Para poder ensaiar modalidades de revelação (no sentido fotográfico) deste dispositivo interpretativo do território, propõem-se a aplicação a um lugar específico. Desse lugar serão “separados”, do seu estado actual, tanto as presenças como os vestígios de dinâmicas sociais – económicas e culturais, que existem ou permaneceram impregnadas nos artefactos arquitectónicos, nas características de elementos da paisagem, signos e formas de ocupação, manipulação e construção do território. Assim, parte-se à procura de lugares onde sejam perceptíveis ou previsíveis situações de mudanças de uso e da consequente metamorfose física. Na caracterização de uma paisagem cultural, será também elegido o campo de investigação do estudo e evolução transformativa de materiais naturais que tem caracterizado a construção e o lugar. Nomeadamente a pedra, a sua raiz histórica e a sua constante mutação formal. Neste campo particular atenção será dada à parceria com empresas e centros tecnológicos que trabalham nesse domínio.

Historiografia da Computação. A posição pioneira de Leslie Martin e o contraponto Português.

Partindo essencialmente do trabalho realizado em Cambridge, UK durante a década de 50-60 por Leslie Martin e Lionel March, através da fundação do Land Use and Built Form Studis Center (LUBFS), analisar qual a influencia desse trabalho nas teorias de arquitectura em Portugal e como e onde foi feita a implementação de técnicas computacionais relacionadas com a arquitectura. O trabalho de investigação engloba a consulta do arquivo de Leslie Martin em Londres, como o arquivo do LNEC. Casos de estudo como o projecto de Álvaro Siza e da Sede da Fundação Calouste Gulbenkian através do trabalho do Eng.º Luís de Guimarães Lobato tornam-se pertinentes casos de estudo que se constituirão como elementos fundadores da investigação. Entre os principais objectivo está o propósito de investigar e divulgar um campo de pesquisa ainda pouco aprofundado nos estudos de arquitectura em Portugal e contribuir para a criação de conhecimento nesse domínio.

2018

Aborda a arquitetura como um modo específico de cultura contemporânea nos seguintes âmbitos: Metodológico – o ensaio do projeto como meio de reflexão e desenvolvimento de pesquisas; Territorial e paisagístico – como contexto fundador das atividades antrópicas; Conservação do património construído nas suas diferentes expressões – erudito e vernáculo; urbano; infra-estrutural e industrial; Construtivo – relacionado ao conhecimento técnico e sua formação cultural; Da percepção do uso de espaços, lugares e territórios; De crítica através do trabalho sobre os meios de comunicação e debate Arquitetura – exposições, publicações e laboratórios como meios necessários para a organização do grupos de pesquisa.